Everton Juliano
22/7/2020

A informação venceu a guerra, imagine o que ela faz por você

Quando se fala em guerras e conflitos armados geralmente o que vêm à nossa mente são tiros, bombas, aviões, canhões etc. Mas existe algo que muitas vezes passa despercebido: o poder da informação. Durante qualquer guerra, a informação é sempre importante, ainda mais quando temos dimensões continentais.

“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.” — Sun Tzu em A arte da guerra.

Um dos princípios básicos ensinados pelo general Sun Tzu em a Arte da guerra é a citação acima. E qual a principal mensagem dela? Que a informação é capaz de vencer uma guerra. Talvez você possa estar achando que eu estou exagerando, ainda mais vindo de uma citação milenar, mas vamos aos fatos. Na década de 40 tivemos a segunda grande guerra mundial. Vários nomes se destacaram nessa época e um destes foi Allan Turing.

Alan Turing em 1927, aos dezesseis anos de idade. Fonte da Imagem: https://pt.wikipedia.org/wiki/Alan_Turing

Allan Turing, matemático, dito por muitos como o pai da computação, foi um dos grandes responsáveis por derrotar os nazistas na segunda guerra mundial. Durante qualquer conflito, a transmissão de informações é essencial: reposicionamento de tropas, alerta de ataques e informações sobre o ‘inimigo’ podem ajudar a vencer uma batalha. Por isso, é importante saber transmitir essas informações em segurança. Para isso, a Alemanha Nazista utilizava a Enigma: uma máquina eletromecânica utilizada para criptografar informações e assim, mesmo que uma mensagem fosse interceptada, seria impossível de ser analisada. E é nessa hora que entra Allan Turing. Um dos seus maiores feitos foi auxiliar a inteligência britânica a acelerar a decodificação da Enigma.

Cena do filme The Imitation Game (‘O Jogo da Imitação’ em português), lançado em 2014 Jack English/Divulgação

Estima-se que os trabalhos de Turing diminuíram em pelo menos 1 ano o final da Segunda Guerra, salvando milhares de vidas. É possível conhecer um pouco mais de sua história em um grande filme lançado recentemente: The Imitation Game (‘O Jogo da Imitação’ em português).

Mas este é um blog de ciência de dados. E talvez você deve estar se perguntando, o que isto tudo tem a ver com ciência de dados? Bom, o ponto que quero chegar, e é o título deste post é o seguinte:

A informação venceu a guerra, imagine o que ela faz por você!

Estamos vivenciando uma nova era: A era regida pelos dados! Todo o poder da informação provém dos dados disponíveis hoje em dia. Talvez o leitor já tenha ouvido a seguinte frase: “Dados são o novo petróleo”. Esta frase foi dita primeiramente por Clive Robert Humby¹, matemático britânico, e se propagou como uma febre: Seu significado diz que os dados são o novo combustível do mundo, aquilo que faz o mundo girar. E esse novo petróleo cresce a números impressionantes:

“A quantidade de dados criados nos próximos três anos será maior que a dos últimos 30 anos, e o mundo criará mais de três vezes os dados nos próximos cinco anos do que nos cinco anteriores” ²

Embora os dados sejam muito importantes, apenas isto não é suficiente. Como na Segunda Guerra, saber a posição de um navio nazista era necessária, mas não resolvia todo o problema. Um ataque demandava estratégia, já que seria muito estranho vários abatimentos simplesmente por acaso. Nos dias atuais temos algo parecido. Segundo Humby, sobre o novo petróleo: “É valioso, mas se não refinado, não pode realmente ser usado. Ele precisa ser transformado em gás, plástico, produtos químicos, etc. para criar uma entidade valiosa que impulsiona atividades lucrativas; portanto, os dados devem ser detalhados, analisados para que tenham valor”. ³

Criar valor sobre os dados, essa é a tarefa do cientista de dados!

Uma das coisas que mais me admira nesta profissão é que, de certa forma, somos como magos do tempo: podemos prever parcialmente o futuro. Claro que se tem grandes incertezas sobre o futuro, mas o cientista de dados é capaz de olhar para trás (dados gerados) e através de algoritmos de aprendizagem de máquina e métodos estatísticos, pode deduzir o que vem a seguir.

Mas a ciência de dados não se resume a apenas olhar para frente. Hoje em dia ela é utilizada para sistemas de recomendação, diagnósticos médicos, prevenção à fraudes, serviço de atendimento ao usuário, prevenção e banimento de cheaters em jogos, carros autônomos, e muito mais.

Você já tem sua empresa ou pensa em montar seu próprio negócio? tenha em mente que a ciência de dados é um dos caminhos para o sucesso. Descartar isso é ficar para trás dos concorrentes. Talvez você se pergunte: mas e quanto aos negócios pequenos, em que não se tem milhões de dados? Aí eu respondo com algo que venho aprendendo desde que comecei nessa área: Qualquer modelo é melhor do que modelo nenhum! Isso significa que ter o poder dos dados em sua mão e trabalhar com ele pode dar-lhe insights sobre como prosseguir, quais fatores são mais importantes e merecem mais atenção e quais aqueles que podem ser descartados por serem bem ruins. Tudo isso pode ser descoberto olhando os dados e a informação que eles contém, e nesse caso, o teu negócio pode ter um crescimento próspero e muito mais acelerado.

Para finalizar, pense nisso: saber qual a tendência é mais lucrativa por uma análise profunda dos teus dados não é muito mais vantajoso do que ficar apenas na suposição?

Acredito que sendo consenso, a resposta para a pergunta acima é afirmativa. E neste caso, o que está esperando para ter o poder da informação na palma de sua mão e utilizá-la ao teu favor?


Referências

  1. https://www.theguardian.com/technology/2013/aug/23/tech-giants-data
  2. https://www.idc.com/getdoc.jsp?containerId=prUS46286020
  3. https://medium.com/project-2030/data-is-the-new-oil-a-ludicrous-proposition-1d91bba4f294

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